quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MARIMBONDO ( wikcionairo wiki wik dicionario etimologia etimologico cientifico )

Marimbondos

Um marimbondo em preto e branco
pintalgado na entre-cor-não-cor
do tabuleiro de xadrez
ou do piso enxadrezado de um "Scotch" bar
assentou-se no meu braço
entre os pelos
no abandono confiante
de quem está em casa
ou no vespeiro
construído com barro
na palma do coqueiro
- sob a palma
ou no lado da palma da palmeira
virada para baixo
no engenhoso e impávido
desafio à gravidade
( O marimbondo põe a palma
com calma
muita calma
- virada no diabo!
lidando com a gravidade
numa casa-caixa
cujo alicerce
fica de ponta a cabeça )

Fato similar se deu com uma mariposa
em solitude sob meus pelos do braço...
- Uma térmita veio voando de longe!
flutuando
flutuante no ar
fluindo sob aguaceiro pluvial
fluída sobre o fluido fluvial
fluente
influente
afluente
fluídico
na canoa
a fluir


Esses fatos agora transcritos
foram atos desses insetos
ocorridos antes e depois das chuvas
no tempo tecido em filó
para mariposas noivas
com asas em cruz
ativas térmitas
dinâmicos demônios alados
- diabos à chuva

As criaturas de que falo
( e canto seu encanto
num acalanto para pranto de chuva! )
- vieram e vêm me visitar
pelo vagalume
o qual é um besouro lucífero
e por outros entes alados
voantes no anjo aos bandos
com banjos
conquanto anjos não existam
inexistam
Entretanto estão postados na mente humana
entre um querubim
e um serafim
- seres criadores da essência mental
a qual passa de arcanjo
com asas descruzadas
para insetos
cujas asas formam a cruz no voo
- no conceito desenhado ao planar
no plano de Euclides para geômetras
Picassos e Modiglianis...
( Insetos são anjos de verdade
- arcanjos na existência
na benção e batismo
oriundas das mãos da água fluindo
fluente vertical ou horizontalizada
- a água desenhando e moldando
- dando concepções ao barro!
- à terra que se molda em moringa
graças aos gestos abençoados
por mãos aquáticas
as quais são as mais humanas
- a água molda as mãos
de todos os seres humanos
os quais moldam o vespeiro
o cupinzeiro o castelo a colmeia
ou o ninho do passarinho
pois cupins aves lagartos e homens
são todos seres humanos
- entes moldados pela água
que desenha a vida na terra
Oh! O rascunho do galo!...
Ah! o rascunho riscado
da notação em partitura
rabiscada no pergaminho da madrugada
onde notas musicais
de melodia incipiente
para canto de galo
ficaram borradas sob o rascunho
- todo riscado!...
numa poça de borrão )

Os insetos d´água
- esses propulsores da vida
eclodem da água
e vêm de longe me visitar
( revisitação!...)
Amo de um amor de amar o mar
mar a mar a espraiar pela praia
- amo todos os insetos que vêm a mim
derramar sua benção de mar
de água pura e benta
- água da vida

Mas não seria eu que vou de voo
de encontro chuvoso com os insetos
batendo asas em cruz
em dia e noite chuvosa
- ou eles que vêm a mim?!
porquanto deles descendo
- de todos os insetos dependo para viver?!
- minha vida e minh'alma
está na gota de vida e alma
que os insetos trazem
pelos bater das asas
aparentemente silentes

Insetos e anfíbios
expressam a vida
na literatura da natureza
escrita com geoglifos
na onda eletromagnética
que dança na água
e se desenha em senóides
na arte da geometria...:
pois se se extinguir a luz
dançante na noite
mais negra que o anum
- sem a luz errante do vagalume!
ai! se apagará a vela das estrelas
nos olhos apagados
riscados do rascunho!
Olhos de todos os viventes
então cegos e sem sol
e consequentemente sem água
pois a água é a concubina do sol

Sem o sol
que anima os pirilampos
apagar-se-á toda luz cambiante
furtada nas águas-furtadas
emitidas a pinceladas pelos olhos verdes
descidos ao mar
e subindo em águas-furtadas
( - "homem ao mar!"
"olhos verdes ao mar!"
grita o marinheiro
ao se deparar com o verde
- ao verde em pastoral
emergindo dos olhos do meu pai!
- uns olhos para acender sonhos
- no universo... )

Outrossim
dos olhos castanhos
será despejada a luz

Dos olhos negros
sem a alma de Lúcifer
a luz não deixará pagadas
de sapatos ou pés descalços
Lúcifer
o cavaleiro negro da luz
de olhar negro
a contemplar um sol negro

Dos dois azuis olhos
em face cândida
de um azul cerúleo... :
- do dúplice azul cerúleo!,
refletido no mar,
enquanto olhar para barco e veleiro
- duplo olhar
do homem em ato
e do Narciso em mito
Dos olhos decíduos
junto às folhas
descaindo na graça da força
centrípeta e centrífuga
emitida pela turbo-hélice de outono
quando sopra o anjo no vento
no moinho de vento
do anil para a grama
- esses olhos postos no anil do céu
e posteriormente
descidos descalço à terra-terra
água-água
terra-água-e-água-terra
da realidade natural
existencial e essencial :
- água-terra!
são olhos angélicos
em folhas amarelas outonais
com anjos decaídos
sob suas asas ininteligentes
( folhas ao vento soltas
são asas sem inteligência
- sem a inteligência montada nas asas da borboleta
que dão liberdade de escolha
contra o despotismo do vento
ventríloco )

Mas quem lê o livro natural
de excelsa poesia
pura filosofia
plena sabedoria
- obra decodificada em vida?!
O Livro da Vida escrito pela vida
enquanto poetisa
no seu código geoglifico...
escritura em água e terra...
- profusamente filosófico... )

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

LÍNGUA ( wikcionario wiki wik dicionario aurelio houais enciclopedia delta larousse britannica)


Uma língua de geóglifos
está escrita no pássaro
- está escrita no poeta
mas o homem
nem a pode ler
graças aos seus apodos
- graças à sua garça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lida
no logos do homem
Somente pode ser ouvida
lida e escrita
na literatura do poeta
que dá à ciência
um pouco de esmola
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
Dostoievski-Modigliani
Chopin-Champollion
Platão-Planck
Euclides-Descartes
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós! )

A língua geoglífica
é haurida do cosmos
Os poetas têm acesso
contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
mas apenas na sua alma
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
( A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
que são um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos
se há ao menos um infinito
em linguagem matemática-algébrica
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
que denega tudo
nos atos dos matemáticos
- apóstolos dos poetas )

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ANÚBIS ( wikcionario wiki wik dicionario enciclopedia etimologia wikipedia )

Achando uma loba e um estado, se conta a história e a lenda de Roma, sendo a lenda ou a história de Roma a lenda e a história de qualquer estado ou cidade-estado e o mito de Jesus nos Evangelhos outrossim repete a narração sobre Rômulo e Remo, sendo, no caso do evangelho, a loba matriz a Virgem Maria. A história de Jesus é a história de Rômulo e Remo e, concomitantemente, de Roma. A ama dos fundadores de Roma foi Aca Laurência, cuja alcunha era "A Loba".
A loba capitolina evoca uma relação misteriosa do homem com seus deuses zoomorfos e antropozoomorfos e cósmicos : Anúbis, Horus, o disco solar ou o deus-sol ( Rá), enfim, o Panteão egípcio com suas divindades.

O deus Osíris, que ressuscitou antes de Cristo, e que é outra história de Jesus, ou seja, outra história mitológica ou lendária narrada milhares de anos antes da história de Jesus aflorar na tradição e, posteriormente, nos Evangelhos canônicos e apócrifos. Osíris é uma divindade antropomórfica, cujo antropomorfismo pode ter sugerido aos gregos ( humanistas) a forma da totalidade dos seus deuses e deusas.
O panteão grego é mui humano, "Humano, demasiado humano", diria Nietzsche. Daí "humanismo" enquanto termo e tempo histórico a guardar o surto de paixão pelo clássico, que era o grego antigo, no portal da historial?!
No panteão grego os deuses eram todos antropomorfos, porquanto o grego colocava o homem no centro de tudo ( ou acima de tudo, no Olimpo, sobre o Monte Olimpo, pois os deuses da mitologia grega eram homens psicológicos e físicos, excetuadas algumas divindades menores : centauros e mesmo o grande deus Pã, antropozoomorfos ) , pois é do homem que partem todas as coisas e voltam todas as coisas, não importa se tais "coisas" retornam ao homem sob a forma de objetos dados aos sentidos e conceitos elucubrados no intelecto, cozinhados no espírito, na mente humana ; no ser humano vai e vem mundos diversos : um mundo que o homem lança nos sentidos que vão captar as "coisas" ou a natureza e retorna outro mundo, o qual é lançado ou percebido no outro mundo, o mundo de fora, no exterior do homem, sendo o homem senhor de dois universos paralelos a ele : o universo de dentro do homem ( sua mente. O mundo sobrenatural seria o dado pelo imaginário ) e o de fora ( a natureza, o mundo natural ).
O homem lança e expele um universo ou dois : um na existência, fora do homem, e outro na essência do homem, dentro da alma, do espírito humano, durante o transcurso da vida. Daí o termo humanismo, utilizado na história pós-medieval, no período que os historiadores gostam de chamar "Renascimento" ( do homem ou do mundo enquanto antropocentrismo, antromorfismo?! ).
Outrossim guarda a história lendária de Mogli, o menino-lobo e a lenda de Tarzan dos macacos, ambas ambientadas na mente de escritores ingleses invade a zona proibida de inúmeros interesses ( contextos ) que floresceram na Inglaterra, enquanto pátria e império, e certamente entrou no fluido da mente desses autores ingleses que captaram símbolos e os transmitiram de uma forma ingênua, porém de beleza e senso de aventura inesquecível, que perdura no imaginário.
Essas histórias ou lendas ou mitos, narram ou evocam a história do homem na pré-história
( como pode haver história antes da história, que é escrita ou é a escrita narrando fatos ou mitos fundamentados em fatos distorcidos na curva parabólica dos contextos?! ) , na forma oral ou mental ou mnemônica ou estão impressas pelos atos e fatos pregressos escritos indelevelmente no código genético, esse escritor e desenhista do corpo e da mente humana.
Do exposto pode-se concluir ( ou não ) que a história da loba capitolina leva a vários caminhos entrecruzados na história : a loba não narra apenas a história de Roma, mas a história de Moisés, com Rômulo e Remo, e tantas outras histórias subjacentes e que afloram nas mais variadas culturas e territórios distantes da história originária, a qual ninguém pode saber qual é, todos ignoram, porém fingem saber alguns eruditos cuja função não é saber, mas conhecer.
Contudo o conhecimento tem limite no saber e o saber limite no homem enquanto o indivíduo não percebe o anti-limite no que parece limitar os sentidos e o corpo e mente humanas fincados num determinado território, com uma determinada língua contextual e cultura que limita o homem.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

JOAN MIRÓ ( carnaval del arlequín,cabeza de labriego campezin catalán, mujer, wikcionario )


A lua assomou sobre o Edifício Flamboyant
como se fosse um chapéu
sobre a mole
um adorno feminil
( à maneira de Modigliani! )
compondo-se com os cabelos negros
de uma mulher bela
em plenitude e pujança
com a juventude pintada nas madeixas bastas
- negras tranças
na cabeça da noite
( A noite é a deusa Hebe e a deusa Nix
dependendo do referencial no olhar em perspectiva
ou das concepções bifrontais
postas em ser na cabeça do deus Jano
- o bifronte! )
A beleza noturna
soturna
quase em surdina
em noturno pianíssimo
( A noite é a segunda beleza
e a segunda diva
depois da mulher
- é a segunda mulher!
ambas carregando no ventre
a pura poesia
do eterno feminino de Goethe
- que o poetas nomeiam como deusas
os atributos femininos
ou tudo o que se via na antiguidade
em sua psicologia e antropologia e zoologia
que denominamos errônea e levianamente de mitologia
quando é ciência em forma poético-filosófica
em na forma do belo
que exprime e descreve e analisa
todos os gestos e atributos humanos e naturais
de maneira holística
nas formas científicas que chamamos fábula
quando fala da zoologia
ou mito quando aborda toda a antropologia e sociologia e psicologia humana... )

A lua cheia
banhada no amarelo ouro
- o plenilúnio
pairando sobre a terra despojada do filão das minas gerais
- filão de ouro e ferro e trem-de-ferro
e ferrete e sais minerais
e outros minérios e minerais de ferro e ferrugem
ferruginosos
óxido de ferro
- tudo assente na terra e no dente do gentílico /
pois a terra tinha tantas minas com filão
que cabia na boca e dentes das gentes
animava o sorriso áureo do garimpeiro
- do mineiro matuto
do tabaréu e da tabaroa
bem como no nome de Minas Gerais /
- atual estado de alguns eleitos para tal empresa
porquanto estado no Brasil ainda significa feudo
na prática práxis axial do vocábulo
ou não o que diz o vocábulo
mas o que manda dizer
o dono da voz e vez
porque aqui ainda funciona o moinho medievo
É genético
não tem muda
está no vegetal do homem
entranhado no sistema nervoso vegetativo
- tudo transitando transido de medo
entre a casa Grande e a Senzala
que este é o Brasil social perene
lido e escrito em genes
( está no genoma )

Portanto, mineiro, pegue a bateia
e vem atrás das minas gerais
ser mineiro
- vem ser mineiro!
conquanto cônscio
de que os governos
sempre roubam o quinto do ouro
a história antiga sendo reescrita perenemente
por sobre o pergaminho ou papiro ou papel
da história das minas nos quintos dos infernos
quando mandava El Rey de Portugal e Algarve
Hoje continuam a levar do povo
até o "quinto dos infernos!"
se pudesse existir alguma fração matemática
para designar o imaginário inferno de Dante
um poeta que entrou no inferno em busca da bem-amada
assim como já o fizera Orfeu
inveterado lírico cantor
cheio de candor no amor
- galo cantor
na zoologia enquanto instância da ciência
e da zoomorfia ou antropozoomorfia
enquanto deus
na pele de Anúbis
que ilustra bem o antropozoomorfismo
que poesia um deus no mundo
- pois poetizar um deus no mundo
é o mesmo que postar
- postá-lo nas aras e no saltares
e no livro dos mortos
- que sempre é o livro dos poetas!

A onomástica da terra veio pelo veio das mimas
então gerais demais
- então minas gerais
nome originário do veio da terra
porquanto o que nomeia a terra
diz da etnia e do povo da terra
e dos andarilhos e arrivistas
que vieram tomar o território aos indígenas
com grandes bandeiras e espadachins
cuja destreza leva a mão a escrever
a história da vitória de Samotrácia
- que a história é sempre do vencedor
que a escreve sobre o pó e com o sangue dos mortos
aos olhos vermelhos dos demônios
a espichar o rabo
até a cauda do fauno
abarcando vida e morte
o preto no branco
o dia na noite
o xadrez no tabuleiro

Somente com os passar do pó dos séculos /
depois que o tempo vira pó de madeira nativa /
( o tempo é a parte móvel do espaço ) /
sai dos alfarrábios para os olhos dos sábios /
desenhado com o dedo na poeira local
da vida que foi alfa um dia
cintilou em alfa do centauro
para a vida que é agora
quando o espaço empurrar um outro pedaço de espaço /
que se desloca paulatinamente /
formando o tempo
ou o conceito do tempo
ou a intuição do tempo
conforme o tempo seja o temo real
dado no mover do espaço
ou o espaço filosófico de Kant-Shopenhauer
que é um sentido interno no homem
Dessa espécie de erosão espacial /
que se passa na mente ou em natureza
nasce o tempo /
que é movimento de parte do espaço /
movido a torque de algum motor /
que se moveu primeiro /
depois do motor originário /
( o motor de Aristóteles )
- motor, portanto, que se moveu segundo /
( e não primeiro, mas segundos antes /
segundo os Evangelhos e os escritos no Tanakh e Corão /
e em tudo que é santo e sábio livro ) /
- motor movido a trilhões de anos após o movimento originário /
cujo movimento ocorreu antes das estrelas /
das cefeidas e anãs brancas /
azuis amarelas vermelhas castanhas
- antes da eclosão do universo /
antes do segundo motor /
escrito no espaço /
descrito no tempo /
- motor descritor
lido prensado nos alfarrábios dos rabinos
( Ao ler o alfarrábios /
os eruditos inteligentes provam apenas o sabor dos signos nos significados /
enquanto eruditos simplórios se enterram sob sete palmos de signos
mortos com os mortos
despidos do contexto de alma e tumba )
Os sábios, entretanto, provam diferente do vulgo ignaro /
parvo parcial parco e patético /
pois detectam pelo gosto /
a história em pó nos alfarrábios /
(onde os mortos vivem em signos e micróbios
conjuminados com ácaros traças carunchos... ) /
e a relação que mantêm com a história escrita no alfarrábio lido /
é tal qual como se fosse o ato de degustar a fruta do pequi /
fresca e viva no sabor amarelo de outro ouro da vida /
numa curva que alonga o amarelo das abelhas /
- amarelo em mel e listas rajadas no abdômen /
que prova o gosto originário da terra /
em seu amarelecer para outono /
transformando o sabor nativo da terra /
em sapiência /
gosto da terra /
e do ser humano sobre a terra /
na história que a terra escreve nas frutas /
nas abelhas e nas flores /
e no homem ali nativo /
irmão dos vegetais e dos animais /
filho da terra e d água que erodiu a terra /
juntou o arenito e fez o ser humano /
ao gosto da laranja da terra
- o ser humano cuja história primeva
foi escrita em seu corpo com geóglifos
antes dos escribas por em sânscrito
hebraico grego e latim
- o homem em hieróglifos
posteriormente em demóticos
e por fim nas línguas alfabéticas
- grego e latim
que o homem moderno
desde a história das línguas
que narram e pensam as histórias dos homens
das línguas alfabéticas
está descrito e pensado e grego e latim ) /

Sobre o flamboyant /
( "Delorix regia" no latim invulgar ) /
flor-do-paraíso e pau-rosa /
na voz corrente do vulgo /
dispensada suposta malícia das brasas do pau-brasil /
no pau-rosa que não evoca a rosa em cor e flor /
nem a candura da acácia rubra /
na cor da face em carmim da moça dente-de-leite /
ou do varão no dente-de-leão /
- erva daninha bravia pelos caminhos silvestres /
aonde não anda pedestre ou quaisquer transeuntes /
que não os silvícolas de antanho /
tempos em flor para a palavra fulô /
desabrochar o "logos" da flor ) /

Sobre a mole do Edifício Flamboyant /
a lua tal qual uma chapéu de palha pintado no amarelo da lua pia /
adorna a cabeça do enorme prédio /
como se fora o sorriso do gato de Alice /
arrastada lá do País das Maravilhas /
para o lugar onde a clareza dos montes é só metáfora /
ou cuja toponímia é um exônimo para designar lugar em Portugal
que em Portugal afiançam alguns
existiam uns montes
que designavam de claros
- Montes Claros

No mês quadriculado por quadrilhas de junho de Santo Antônio /
onde abundam quadrilhas e fogueiras e fogos de artifício /
e fogo-fátuos e bandeirolas a ataviar os espaços no tempo /
de São João e São Pedro /
que ainda andam mansos e santos na sua mansuetude /
pelo meio do povo simplório em suas manifestações /
- do povo das Minas Gerais /
na santa terra prometida em filão de Minas Gerais /
para onde peregrinou um arameu errante /
que veio de longe e de antes /
- muito antes que o tempo formasse o pó /
que é o espaço de hoje do corpo /
entre imaginários montes
vislumbrados no horizonte
( ou seja, longe!
de uma longura idílica
como o amor romântico
e o barco no rio
com o pescador
descendo pelos cachos dos cabelos da cachoeira cantante
- cantarolante )
da terra abençoada com pequi no pequizeiro
onde sobe o homem da poeira ao rés-do-chão
para formar o corpo humano do nativo
com a energia de fogo do sol
que coze o homem
e assim torna esse ser
mera cerâmica industrializada pela natureza
onde sobeja o pequi cozido com arroz
- sápido e amarelo-pequi em nuance
matiz por um triz!
planta e fruta que dialoga com a língua anatômica e fisiológica
sobre o gosto da terra
e narra estórias vegetais
e também diz do "logos" geológico da terra
à sombra do vale entre as montanhas de Minas
- minas sempre gerais pelos campos gerais /
que miram a serra do espinhaço /
e os arbustos floridos de roxo /
na beleza plena do ipê roxo /
que circula quedo e mudo /
como se fosse uma baiana rodando a saia /
na escola de samba /
Acadêmicos do Salgueiro /
estação Primeira de Mangueira /
ou num Império Serrano com anum
mais extenso que o romano /
ao menos na parábola-palavra do aedo /
sem medo de arremedo
ou do anum negro que firma a casa da noite

Subindo para os morrinhos /
ao pé do morro /
sonhando com o Santo Graal /
vi a lua assomar com face amarela
entre o Edifício Flamboyant e Deus /
A lua interposta entre Deus e a mole do Edifício
- vi-a na vida antes de codificar o ato de olhar palor de luar /
em noite na qual pensava na mulher /
que Joan Miró concebera numa obra de arte pictórica /

Em uma noite em que pintara Joan Miró
a mulher que amo!
arrancada em raiz herbácea do surreal
- aquela que somente vive em segredo e degredo de alma
dentro de mim
escondida do mundo
arredia na ermida do rocio
ou antes do orvalho fazer catedral
templo para corpo humano
onde os cavaleiros negros do apocalipse galopam
mas não chegam nunca
porque lá o espaço fica
entre a lua falciforme negra
e o espaço guardado pelo anjo do senhor
- anjo de mau a pior
de anjo a demônio
cavalgando um corcel amarelo
- cor do trigo da fome no Apocalipse /
dos quatro cavaleiros andantes /
arrostando moinhos de vento e moleiros moles /
cuja armadura é a mole do edifício Flamboyant
onde uma pá de moinho roda /
pelo toque das mãos do vento /
que move moinhos
( ventos são partes do espaço /
que se quebraram do todo espacial /
e se transformaram em porção móvel /
- quinhão denominado de tempo /
pois tempo é espaço móvel /
ou parcela do espaço estagnado /
que se partiu e se tornou espaço em movimento )

A lua que eu olhava era circular /
ovalada ou elíptica como sói dizer o físico /
para por o "logos" no jargão da física /
que quantifica a luz na constante de Planck /
( Quão em quanta se mensurou o espectro da luz do corpo negro! /
após a catástrofe do ultravioleta /
naquele momento em tese! /
não do momento, mas da tese /
na equação literal pela borda da álgebra!... ) /

Entrementes cismava eu com a mulher nada imaginária /
( e toda imaginação! )
furtada por uma água-furtada de autoria de Joan Miró /
que do ( quedo?) quadro do artista célebre /
fugisse amazona sobre um alazão ou égua abstrata
para dentro da noite escura nada abstrata
- noite acolhedora em trevas a vestir a mulher negra na noite /
trajá-la com vestes talares nigérrimas /
àquela deusa originária da água da placenta /
que um dia ou em outra noite /
desidratada cairá no pó da terra /
como pó de terra /
anjo decaído /
ser humano morto /
no retorno ao húmus /
na volta ao ventre da terra /
excetuada a mulher que Miró pintou /
imortal na tela mental /
protegido de bactérias carunhos e ácaros /
pelo tempo que tem no abstrato /
o anjo da guarda como relicário /
depositário fiel dos tesouros da inteligência /
encontradiços no museu do Ancião dos Dias /
( A vida goteja na decrepitude )

Pensava eu na mulher dentro da noite /
quando olhei a lua a banhar de amarelo-sertão a mole do edifício /
e a poesia aqui e ali plasmada nasceu em minha alma /
naquele e neste momento
( nunca é neste o momento!
- o tempo nunca é no tempo
pois o presente é fugidio
e tem mais tempo na lembrança
do que no momento-minuto
ou na hora do cuco sair alardeando no relógio suíço )
- momento ainda em idéia a caminhar
caminheira na estrada
- caminhão!
a cavaleiro negro da mole do edifício /
( cavaleiro negro laçado no apocalipse! )
antes de vir parar à cova aqui cavada nestes versos mortos nesta escrita /
ao descrever a mulher pintada pelo artista catalão /
que a pôs em tese na tela /
( redundância no vernáculo para designar lugar ) /
dentro da noite em obra pictórica /
sobrando nas sombras da noite /
nos meandros da alma /
e fora do espírito que olha /
a noite tingir o dia de trevas bastas /
em cabeleiras compridas /
ocultando a face feminina da noite /
sob um véu negro de cabelos longos /
- a mulher polifônica
minha em poesia e de Joan Miró em tela
escrita e desenhada
pintada na surrealidade
pela paleta do artista
e os signos e símbolos do vate
a cantarolar uma barcarola ou uma berceuse
par um riacho rolar seixos
e a criança amada pelo líquido do sangue
que enlaça os mares do corpo humano
( Amor está na corrente sanguínea! )

Todavia eu ia encontrar-me com outra mulher /
que nem era mulher ainda /
porém apenas ( se isso tudo é apenas ou tão-somente ou uma nonada ) /
- tão-só uma menina-moça de quatorze anos /
tão só!
- e tão só quanto a minha solidão
máxime em Robinson Crusoé em solitude na ilha /
que é o homem e a mulher em corpo humano
e corpo de ilha respectivamente
( corpo de ilha é terra
igual corpo de homem )

Ah! solidão e solitude!...
similar à solidão e solitude
que feria a menina
dentro da qual
havia um mar vermelho
que corria para o amor
- que amor é sangue
está no sangue!
- mar vivo
contraposto ao mar morto
à marmota e ao mármore
no qual Micheângelo ou Rodin...

( Insulado é o corpo humano /
fechado em si para a vida /
Hermética ilha a vida em seu interior /
ou seus inúmeros interiores físicos, químicos, eletromagnéticos,
espirituais ...
os quais trancam o castelo feudal
com ponte levadiça
abrindo a flor em racimo apenas ao espírito pensante
à alma filosofante que doa amor
ao rapsodo que recebe... )

Sob a perspectiva filosofante da obra de Joan Miró /
naquela noite que eu imaginava ser uma mulher pintada pelo artista /
( e não uma noite propriamente dita ) /
apenas minha filha andaria comigo /

Ela estaria junto ao meu caminhar /
na melhor parte do meu caminho sob lua /
abaixo do luar balouçante /
móvel lua similar a um gato sorridente /
no escuro que faz tez da madrugada /

No seio daquela noite pintada pelo palor do luar /
que no novilúnio não é lívido /
não é de uma lividez que vai ao amarelo macilento /
pálido amarelo do vampiro inexistente /
imagem tétrica da noite /
representada como ser humano /
conquanto morto-vivo /
sem o sol regando a diva anterior aos cabelos louros da aurora semi-desperta /
mas com a lua e as estrelas notâmbulas /
caçando morcegos e corujas pelos coruchéus /
sempre, entretanto, contíguo ao alvo que corre no leito ou álveo do leite /
da terra que mana leite e mel de abelha amada no favo /
com flor de laranjeira para o amplexo na barra da alva /
favo engasgado e engastado em abelha /
engaste da abelha-rainha /
uma gema-viva e mais preciosa /
que o tesouro do mel /
- arroio suave originário do néctar da flor...
Em perene canto de aboio
- o arroio...
descia a madrugada

Andarilhos à sombra imensa da noite /
sabíamos que somente minha filha teria genética /
para me seguir por aqueles ínvios caminhos de peregrinos /
dentre os quais ela buscaria comigo a mulher dentro da noite /
não a mulher de Miró integral no corpo de trevas noturnas /
mas apenas uma mecha do cabelo da mulher virtuosa /
essa safira ou preciosa ametista /
pérola negra esmeralda turquesa turmalina /
porquanto a mulher virtuosa é um ser quase mitológico /
se não fosse tão simples assim /
como um unicórnio /
( o unicórnio alegre de Salvador Dali
- unicórnio surreal, surrealista
sustentado no universo surrealista do pensamento...
- que pensa o sonho
um jardim para o vegetal
- o onírico vegetativo pensante
no sistema nervoso
que envia mensagens ao corpo humano
e ao corpo do unicórnio surreal
ou mitológico mítico...
- mito que cavalga rito!... )
um ser no meio do existente /
- meio existente no meio da vida /
em meio ao meio ambiente /
porém ser apenas na fauna do cérebro humano /
e não ser existente na realidade natural /
( fora dos fatos naturais /
presente e existente somente dentro do cérebro /
e como símbolo da mente /
que criou o unicórnio /
como Deus criou o homem e a mulher /
para além do meu cepticismo estúpido /
que existe ao sabor do pensamento imaginativo do homem /
dentro desse mundo interno ) /

Enfim, uma mulher bíblica/
já quase inexistente ou em extinção /
devido à ação predatória do homem /
alienado em mídia ou empresa /
ou outros monstros e ogros tais /
da alienação do pensamento turvo /
- torvo corvo estorvo /

Pela mulher dentro do corpo da noite /
em parábola de Joan Miró /
- na alegoria do artista /
a mulher que é a deusa /
na pele da noite /
noiva da consciência em tez negra /
vencendo a foice com que a lua se transmuta /
simbolizando o carrasco em forma de sociedade-foice /
( a lua desenha símbolo?!) /
- derribando com a guilhotina /
a cabeça da mulher virtuosa /
mas deixando ainda vivo /
por alguns minutos sexuais /
minutos finais de atividade elétrica
o corpo da fêmea /
que é semelhante /
não a Deus /
( às deusas gregas e romanas
do antigo museu do surrealismo grego... )
porém aos animais no cio /
para pasto de faunos e sátiros /
de mundo irreais para a paixão /
que odeio no cristão /
não obstante amar no pagão /
românticos surrealistas...:
surreais românicos!

A mulher em Joan Miró /
pura poesia é /
mas fora dele também /
- é poesia mais vasta /
ao se por no mundo /
ao por seu ser feminino no mundo /
aberto aos campos e prados vastos da filosofia /
que pesca e pesa mentes dentro de cérebros /
peixes em águas profundas /
- pesados cavalos-marinhos
sem cavaleiros ou amazonas a montar
livres no seu vegetar
e na sua pensante-vegetante filosofia
do real ao surreal
A lua assomou sobre o Edifício Flamboyant
como se fosse um chapéu
sobre a mole
um adorno feminil
( à maneira de Modigliani! )
compondo-se com os cabelos negros
de uma mulher bela
em plenitude e pujança
com a juventude pintada nas madeixas bastas
- negras tranças
na cabeça da noite
( A noite é a deusa Hebe e a deusa Nix
dependendo do referencial no olhar em perspectiva
ou das concepções bifrontais
postas em ser na cabeça do deus Jano
- o bifronte! )
A beleza noturna
soturna
quase em surdina
em noturno pianíssimo
( A noite é a segunda beleza
e a segunda diva
depois da mulher
- é a segunda mulher!
ambas carregando no ventre
a pura poesia
do eterno feminino de Goethe
- que o poetas nomeiam como deusas
os atributos femininos
ou tudo o que se via na antiguidade
em sua psicologia e antropologia e zoologia
que denominamos errônea e levianamente de mitologia
quando é ciência em forma poético-filosófica
em na forma do belo
que exprime e descreve e analisa
todos os gestos e atributos humanos e naturais
de maneira holística
nas formas científicas que chamamos fábula
quando fala da zoologia
ou mito quando aborda toda a antropologia e sociologia e psicologia humana... )

A lua cheia
banhada no amarelo ouro
- o plenilúnio
pairando sobre a terra despojada do filão das minas gerais
- filão de ouro e ferro e trem-de-ferro
e ferrete e sais minerais
e outros minérios e minerais de ferro e ferrugem
ferruginosos
óxido de ferro
- tudo assente na terra e no dente do gentílico /
pois a terra tinha tantas minas com filão
que cabia na boca e dentes das gentes
animava o sorriso áureo do garimpeiro
- do mineiro matuto
do tabaréu e da tabaroa
bem como no nome de Minas Gerais /
- atual estado de alguns eleitos para tal empresa
porquanto estado no Brasil ainda significa feudo
na prática práxis axial do vocábulo
ou não o que diz o vocábulo
mas o que manda dizer
o dono da voz e vez
porque aqui ainda funciona o moinho medievo
É genético
não tem muda
está no vegetal do homem
entranhado no sistema nervoso vegetativo
- tudo transitando transido de medo
entre a casa Grande e a Senzala
que este é o Brasil social perene
lido e escrito em genes
( está no genoma )

Portanto, mineiro, pegue a bateia
e vem atrás das minas gerais
ser mineiro
- vem ser mineiro!
conquanto cônscio
de que os governos
sempre roubam o quinto do ouro
a história antiga sendo reescrita perenemente
por sobre o pergaminho ou papiro ou papel
da história das minas nos quintos dos infernos
quando mandava El Rey de Portugal e Algarve
Hoje continuam a levar do povo
até o "quinto dos infernos!"
se pudesse existir alguma fração matemática
para designar o imaginário inferno de Dante
um poeta que entrou no inferno em busca da bem-amada
assim como já o fizera Orfeu
inveterado lírico cantor
cheio de candor no amor
- galo cantor
na zoologia enquanto instância da ciência
e da zoomorfia ou antropozoomorfia
enquanto deus
na pele de Anúbis
que ilustra bem o antropozoomorfismo
que poesia um deus no mundo
- pois poetizar um deus no mundo
é o mesmo que postar
- postá-lo nas aras e no saltares
e no livro dos mortos
- que sempre é o livro dos poetas!

A onomástica da terra veio pelo veio das mimas
então gerais demais
- então minas gerais
nome originário do veio da terra
porquanto o que nomeia a terra
diz da etnia e do povo da terra
e dos andarilhos e arrivistas
que vieram tomar o território aos indígenas
com grandes bandeiras e espadachins
cuja destreza leva a mão a escrever
a história da vitória de Samotrácia
- que a história é sempre do vencedor
que a escreve sobre o pó e com o sangue dos mortos
aos olhos vermelhos dos demônios
a espichar o rabo
até a cauda do fauno
abarcando vida e morte
o preto no branco
o dia na noite
o xadrez no tabuleiro

Somente com os passar do pó dos séculos /
depois que o tempo vira pó de madeira nativa /
( o tempo é a parte móvel do espaço ) /
sai dos alfarrábios para os olhos dos sábios /
desenhado com o dedo na poeira local
da vida que foi alfa um dia
cintilou em alfa do centauro
para a vida que é agora
quando o espaço empurrar um outro pedaço de espaço /
que se desloca paulatinamente /
formando o tempo
ou o conceito do tempo
ou a intuição do tempo
conforme o tempo seja o temo real
dado no mover do espaço
ou o espaço filosófico de Kant-Shopenhauer
que é um sentido interno no homem
Dessa espécie de erosão espacial /
que se passa na mente ou em natureza
nasce o tempo /
que é movimento de parte do espaço /
movido a torque de algum motor /
que se moveu primeiro /
depois do motor originário /
( o motor de Aristóteles )
- motor, portanto, que se moveu segundo /
( e não primeiro, mas segundos antes /
segundo os Evangelhos e os escritos no Tanakh e Corão /
e em tudo que é santo e sábio livro ) /
- motor movido a trilhões de anos após o movimento originário /
cujo movimento ocorreu antes das estrelas /
das cefeidas e anãs brancas /
azuis amarelas vermelhas castanhas
- antes da eclosão do universo /
antes do segundo motor /
escrito no espaço /
descrito no tempo /
- motor descritor
lido prensado nos alfarrábios dos rabinos
( Ao ler o alfarrábios /
os eruditos inteligentes provam apenas o sabor dos signos nos significados /
enquanto eruditos simplórios se enterram sob sete palmos de signos
mortos com os mortos
despidos do contexto de alma e tumba )
Os sábios, entretanto, provam diferente do vulgo ignaro /
parvo parcial parco e patético /
pois detectam pelo gosto /
a história em pó nos alfarrábios /
(onde os mortos vivem em signos e micróbios
conjuminados com ácaros traças carunchos... ) /
e a relação que mantêm com a história escrita no alfarrábio lido /
é tal qual como se fosse o ato de degustar a fruta do pequi /
fresca e viva no sabor amarelo de outro ouro da vida /
numa curva que alonga o amarelo das abelhas /
- amarelo em mel e listas rajadas no abdômen /
que prova o gosto originário da terra /
em seu amarelecer para outono /
transformando o sabor nativo da terra /
em sapiência /
gosto da terra /
e do ser humano sobre a terra /
na história que a terra escreve nas frutas /
nas abelhas e nas flores /
e no homem ali nativo /
irmão dos vegetais e dos animais /
filho da terra e d água que erodiu a terra /
juntou o arenito e fez o ser humano /
ao gosto da laranja da terra
- o ser humano cuja história primeva
foi escrita em seu corpo com geóglifos
antes dos escribas por em sânscrito
hebraico grego e latim
- o homem em hieróglifos
posteriormente em demóticos
e por fim nas línguas alfabéticas
- grego e latim
que o homem moderno
desde a história das línguas
que narram e pensam as histórias dos homens
das línguas alfabéticas
está descrito e pensado e grego e latim ) /

Sobre o flamboyant /
( "Delorix regia" no latim invulgar ) /
flor-do-paraíso e pau-rosa /
na voz corrente do vulgo /
dispensada suposta malícia das brasas do pau-brasil /
no pau-rosa que não evoca a rosa em cor e flor /
nem a candura da acácia rubra /
na cor da face em carmim da moça dente-de-leite /
ou do varão no dente-de-leão /
- erva daninha bravia pelos caminhos silvestres /
aonde não anda pedestre ou quaisquer transeuntes /
que não os silvícolas de antanho /
tempos em flor para a palavra fulô /
desabrochar o "logos" da flor ) /

Sobre a mole do Edifício Flamboyant /
a lua tal qual uma chapéu de palha pintado no amarelo da lua pia /
adorna a cabeça do enorme prédio /
como se fora o sorriso do gato de Alice /
arrastada lá do País das Maravilhas /
para o lugar onde a clareza dos montes é só metáfora /
ou cuja toponímia é um exônimo para designar lugar em Portugal
que em Portugal afiançam alguns
existiam uns montes
que designavam de claros
- Montes Claros

No mês quadriculado por quadrilhas de junho de Santo Antônio /
onde abundam quadrilhas e fogueiras e fogos de artifício /
e fogo-fátuos e bandeirolas a ataviar os espaços no tempo /
de São João e São Pedro /
que ainda andam mansos e santos na sua mansuetude /
pelo meio do povo simplório em suas manifestações /
- do povo das Minas Gerais /
na santa terra prometida em filão de Minas Gerais /
para onde peregrinou um arameu errante /
que veio de longe e de antes /
- muito antes que o tempo formasse o pó /
que é o espaço de hoje do corpo /
entre imaginários montes
vislumbrados no horizonte
( ou seja, longe!
de uma longura idílica
como o amor romântico
e o barco no rio
com o pescador
descendo pelos cachos dos cabelos da cachoeira cantante
- cantarolante )
da terra abençoada com pequi no pequizeiro
onde sobe o homem da poeira ao rés-do-chão
para formar o corpo humano do nativo
com a energia de fogo do sol
que coze o homem
e assim torna esse ser
mera cerâmica industrializada pela natureza
onde sobeja o pequi cozido com arroz
- sápido e amarelo-pequi em nuance
matiz por um triz!
planta e fruta que dialoga com a língua anatômica e fisiológica
sobre o gosto da terra
e narra estórias vegetais
e também diz do "logos" geológico da terra
à sombra do vale entre as montanhas de Minas
- minas sempre gerais pelos campos gerais /
que miram a serra do espinhaço /
e os arbustos floridos de roxo /
na beleza plena do ipê roxo /
que circula quedo e mudo /
como se fosse uma baiana rodando a saia /
na escola de samba /
Acadêmicos do Salgueiro /
estação Primeira de Mangueira /
ou num Império Serrano com anum
mais extenso que o romano /
ao menos na parábola-palavra do aedo /
sem medo de arremedo
ou do anum negro que firma a casa da noite

Subindo para os morrinhos /
ao pé do morro /
sonhando com o Santo Graal /
vi a lua assomar com face amarela
entre o Edifício Flamboyant e Deus /
A lua interposta entre Deus e a mole do Edifício
- vi-a na vida antes de codificar o ato de olhar palor de luar /
em noite na qual pensava na mulher /
que Joan Miró concebera numa obra de arte pictórica /

Em uma noite em que pintara Joan Miró
a mulher que amo!
arrancada em raiz herbácea do surreal
- aquela que somente vive em segredo e degredo de alma
dentro de mim
escondida do mundo
arredia na ermida do rocio
ou antes do orvalho fazer catedral
templo para corpo humano
onde os cavaleiros negros do apocalipse galopam
mas não chegam nunca
porque lá o espaço fica
entre a lua falciforme negra
e o espaço guardado pelo anjo do senhor
- anjo de mau a pior
de anjo a demônio
cavalgando um corcel amarelo
- cor do trigo da fome no Apocalipse /
dos quatro cavaleiros andantes /
arrostando moinhos de vento e moleiros moles /
cuja armadura é a mole do edifício Flamboyant
onde uma pá de moinho roda /
pelo toque das mãos do vento /
que move moinhos
( ventos são partes do espaço /
que se quebraram do todo espacial /
e se transformaram em porção móvel /
- quinhão denominado de tempo /
pois tempo é espaço móvel /
ou parcela do espaço estagnado /
que se partiu e se tornou espaço em movimento )

A lua que eu olhava era circular /
ovalada ou elíptica como sói dizer o físico /
para por o "logos" no jargão da física /
que quantifica a luz na constante de Planck /
( Quão em quanta se mensurou o espectro da luz do corpo negro! /
após a catástrofe do ultravioleta /
naquele momento em tese! /
não do momento, mas da tese /
na equação literal pela borda da álgebra!... ) /

Entrementes cismava eu com a mulher nada imaginária /
( e toda imaginação! )
furtada por uma água-furtada de autoria de Joan Miró /
que do ( quedo?) quadro do artista célebre /
fugisse amazona sobre um alazão ou égua abstrata
para dentro da noite escura nada abstrata
- noite acolhedora em trevas a vestir a mulher negra na noite /
trajá-la com vestes talares nigérrimas /
àquela deusa originária da água da placenta /
que um dia ou em outra noite /
desidratada cairá no pó da terra /
como pó de terra /
anjo decaído /
ser humano morto /
no retorno ao húmus /
na volta ao ventre da terra /
excetuada a mulher que Miró pintou /
imortal na tela mental /
protegido de bactérias carunhos e ácaros /
pelo tempo que tem no abstrato /
o anjo da guarda como relicário /
depositário fiel dos tesouros da inteligência /
encontradiços no museu do Ancião dos Dias /
( A vida goteja na decrepitude )

Pensava eu na mulher dentro da noite /
quando olhei a lua a banhar de amarelo-sertão a mole do edifício /
e a poesia aqui e ali plasmada nasceu em minha alma /
naquele e neste momento
( nunca é neste o momento!
- o tempo nunca é no tempo
pois o presente é fugidio
e tem mais tempo na lembrança
do que no momento-minuto
ou na hora do cuco sair alardeando no relógio suíço )
- momento ainda em idéia a caminhar
caminheira na estrada
- caminhão!
a cavaleiro negro da mole do edifício /
( cavaleiro negro laçado no apocalipse! )
antes de vir parar à cova aqui cavada nestes versos mortos nesta escrita /
ao descrever a mulher pintada pelo artista catalão /
que a pôs em tese na tela /
( redundância no vernáculo para designar lugar ) /
dentro da noite em obra pictórica /
sobrando nas sombras da noite /
nos meandros da alma /
e fora do espírito que olha /
a noite tingir o dia de trevas bastas /
em cabeleiras compridas /
ocultando a face feminina da noite /
sob um véu negro de cabelos longos /
- a mulher polifônica
minha em poesia e de Joan Miró em tela
escrita e desenhada
pintada na surrealidade
pela paleta do artista
e os signos e símbolos do vate
a cantarolar uma barcarola ou uma berceuse
par um riacho rolar seixos
e a criança amada pelo líquido do sangue
que enlaça os mares do corpo humano
( Amor está na corrente sanguínea! )

Todavia eu ia encontrar-me com outra mulher /
que nem era mulher ainda /
porém apenas ( se isso tudo é apenas ou tão-somente ou uma nonada ) /
- tão-só uma menina-moça de quatorze anos /
tão só!
- e tão só quanto a minha solidão
máxime em Robinson Crusoé em solitude na ilha /
que é o homem e a mulher em corpo humano
e corpo de ilha respectivamente
( corpo de ilha é terra
igual corpo de homem )

Ah! solidão e solitude!...
similar à solidão e solitude
que feria a menina
dentro da qual
havia um mar vermelho
que corria para o amor
- que amor é sangue
está no sangue!
- mar vivo
contraposto ao mar morto
à marmota e ao mármore
no qual Micheângelo ou Rodin...

( Insulado é o corpo humano /
fechado em si para a vida /
Hermética ilha a vida em seu interior /
ou seus inúmeros interiores físicos, químicos, eletromagnéticos,
espirituais ...
os quais trancam o castelo feudal
com ponte levadiça
abrindo a flor em racimo apenas ao espírito pensante
à alma filosofante que doa amor
ao rapsodo que recebe... )

Sob a perspectiva filosofante da obra de Joan Miró /
naquela noite que eu imaginava ser uma mulher pintada pelo artista /
( e não uma noite propriamente dita ) /
apenas minha filha andaria comigo /

Ela estaria junto ao meu caminhar /
na melhor parte do meu caminho sob lua /
abaixo do luar balouçante /
móvel lua similar a um gato sorridente /
no escuro que faz tez da madrugada /

No seio daquela noite pintada pelo palor do luar /
que no novilúnio não é lívido /
não é de uma lividez que vai ao amarelo macilento /
pálido amarelo do vampiro inexistente /
imagem tétrica da noite /
representada como ser humano /
conquanto morto-vivo /
sem o sol regando a diva anterior aos cabelos louros da aurora semi-desperta /
mas com a lua e as estrelas notâmbulas /
caçando morcegos e corujas pelos coruchéus /
sempre, entretanto, contíguo ao alvo que corre no leito ou álveo do leite /
da terra que mana leite e mel de abelha amada no favo /
com flor de laranjeira para o amplexo na barra da alva /
favo engasgado e engastado em abelha /
engaste da abelha-rainha /
uma gema-viva e mais preciosa /
que o tesouro do mel /
- arroio suave originário do néctar da flor...
Em perene canto de aboio
- o arroio...
descia a madrugada

Andarilhos à sombra imensa da noite /
sabíamos que somente minha filha teria genética /
para me seguir por aqueles ínvios caminhos de peregrinos /
dentre os quais ela buscaria comigo a mulher dentro da noite /
não a mulher de Miró integral no corpo de trevas noturnas /
mas apenas uma mecha do cabelo da mulher virtuosa /
essa safira ou preciosa ametista /
pérola negra esmeralda turquesa turmalina /
porquanto a mulher virtuosa é um ser quase mitológico /
se não fosse tão simples assim /
como um unicórnio /
( o unicórnio alegre de Salvador Dali
- unicórnio surreal, surrealista
sustentado no universo surrealista do pensamento...
- que pensa o sonho
um jardim para o vegetal
- o onírico vegetativo pensante
no sistema nervoso
que envia mensagens ao corpo humano
e ao corpo do unicórnio surreal
ou mitológico mítico...
- mito que cavalga rito!... )
um ser no meio do existente /
- meio existente no meio da vida /
em meio ao meio ambiente /
porém ser apenas na fauna do cérebro humano /
e não ser existente na realidade natural /
( fora dos fatos naturais /
presente e existente somente dentro do cérebro /
e como símbolo da mente /
que criou o unicórnio /
como Deus criou o homem e a mulher /
para além do meu cepticismo estúpido /
que existe ao sabor do pensamento imaginativo do homem /
dentro desse mundo interno ) /

Enfim, uma mulher bíblica/
já quase inexistente ou em extinção /
devido à ação predatória do homem /
alienado em mídia ou empresa /
ou outros monstros e ogros tais /
da alienação do pensamento turvo /
- torvo corvo estorvo /

Pela mulher dentro do corpo da noite /
em parábola de Joan Miró /
- na alegoria do artista /
a mulher que é a deusa /
na pele da noite /
noiva da consciência em tez negra /
vencendo a foice com que a lua se transmuta /
simbolizando o carrasco em forma de sociedade-foice /
( a lua desenha símbolo?!) /
- derribando com a guilhotina /
a cabeça da mulher virtuosa /
mas deixando ainda vivo /
por alguns minutos sexuais /
minutos finais de atividade elétrica
o corpo da fêmea /
que é semelhante /
não a Deus /
( às deusas gregas e romanas
do antigo museu do surrealismo grego... )
porém aos animais no cio /
para pasto de faunos e sátiros /
de mundo irreais para a paixão /
que odeio no cristão /
não obstante amar no pagão /
românticos surrealistas...:
surreais românicos!

A mulher em Joan Miró /
pura poesia é /
mas fora dele também /
- é poesia mais vasta /
ao se por no mundo /
ao por seu ser feminino no mundo /
aberto aos campos e prados vastos da filosofia /
que pesca e pesa mentes dentro de cérebros /
peixes em águas profundas /
- pesados cavalos-marinhos
sem cavaleiros ou amazonas a montar
livres no seu vegetar
e na sua pensante-vegetante filosofia
do real ao surreal